Marcelo Oliveira
Desde segunda-feira, o IBGE Santa Maria mobiliza 279 recenseadores para dar início à coleta domiciliar do Censo Demográfico 2022, que ocorre em todo o Brasil até o dia 31 de outubro. Na cidade, a previsão é visitar mais de 114 mil domicílios em três meses.
O censo brasileiro é uma das maiores operações censitárias do mundo e é o responsável pelo mapeamento de características demográficas, sociais e econômicas do país. Em Santa Maria, a expectativa do IBGE, de acordo com o coordenador Mário de Ávila, é alcançar todos os cantos da cidade.
– O Censo 2022 tem um papel fundamental que é o de alcançar toda e qualquer comunidade, seja ela urbana ou rural, para que se possa ter dados concretos sobre a realidade demográfica, econômica e social. Por isso que, durante a coleta, pode acontecer de novos endereços serem incluídos.
Para o coordenador Mário de Ávila, o principal desafio, além da disponibilidade das pessoas responderem as questões, é a coleta em condomínios.
Nas visitas são aplicados dois questionários: o básico e o ampliado. O primeiro deles, com 26 questões, leva em torno de 5 minutos para ser respondido. Já o questionário ampliado tem 77 perguntas e costuma levar 16 minutos para ser respondido. Segundo Mário, neste ano, um dos principais desafios, além da disponibilidade das pessoas responderem as questões, é a coleta em condomínios.
– Acontece de tentar contato com a administração do prédio e a ligação cair em Porto Alegre, por exemplo. Por isso que temos orientações específicas para a coleta em condomínios e os recenseadores também estão devidamente identificados para facilitar a comunicação com síndicos. É rápido e quem responde contribui demais para conhecermos a realidade brasileira – enfatiza Mário.
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Ainda, umas das novidades, além da atualização de conceitos e do uso de tecnologia para agilizar a coleta e sistematizar os dados, é a aplicação de questionários em comunidades quilombolas. Segundo Mario, a novidade é um avanço e vai ajudar na criação de políticas públicas voltadas aos quilombolas:
– No Censo 2010, foi incluído um questionário que levava em conta as especificidades das comunidades indígenas. E neste novo censo foram incluídas as comunidades quilombolas que têm o território já reconhecido. Essa novidade é bem importante porque é a partir de mapeamentos e de dados que são conhecidas as necessidades da população brasileira, ou seja, podem auxiliar na criação de políticas públicas.
De acordo com o supervisor Robson Ferreira, que atua em um dos postos de coleta, os primeiros dias de trabalho deram o tom do que virá nos próximos meses.
– Na segunda recepcionamos os recenseadores e alguns supervisores já foram a campo acompanhar a coleta. Estamos bem animados já que o censo seria realizado em 2020, mas estávamos em pandemia. A diversidade de recenseadores e de endereços da cidade já nos mostra que o trabalho vai ser bem interessante.
Maior censo do Brasil
No Brasil, os recenseadores do IBGE devem visitar 89 milhões de endereços. A estimativa é de que sejam contabilizados cerca de 215 milhões de pessoas. No Rio Grande do Sul, a previsão é de mais de 4 milhões de domicílios visitados por cerca de 11 mil recenseadores.
A pesquisa irá de porta em porta em todos os 5.570 municípios do país. Ao todo, são 452.246 setores censitários urbanos e rurais, 5.972 localidades quilombolas e 624 terras indígenas.
A pesquisa ocorre a cada dez anos e estava prevista para ser realizada em 2020. No entanto, foi adiado devido à pandemia e por questões orçamentárias. Neste ano, o Censo 2022 marca 150 anos do primeiro recenseamento feito no país.
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Leandra Cruber, [email protected]